• Leonardo Freund

4 habilidades que não ensinam nas escolas: Autoconhecimento (parte 2 de 4)



Dando continuidade às nossas reflexões sobre as habilidades que as escolas não ensinam, trazemos a habilidade de número dois:



Autoconhecimento


Bom, se falamos de autorresponsabilidade, precisamos falar, também, de autoconhecimento. Nos autoconhecer é uma das formas mais eficazes de entendermos nossos limites, habilidades e as áreas que precisamos nos desenvolver, ou até mesmo abandonar!


Em estudos realizados em meados de 1930, nos Estados Unidos, foi constatado que não adianta ter um Q.I. elevado se não tivermos desenvolvida a nossa inteligência emocional. Hoje em dia, podemos observar que as escolas pelo mundo todo aceitam e compreendem a importância do autoconhecimento, no Brasil temos as diretrizes educacionais da BNCC (base nacional comum curricular), proposto pelo MEC (ministério da educação), que busca desenvolver habilidades socioemocionais, novos modelos educacionais e por aí vai.


Mas mesmo com algumas propostas, já existentes, percebemos que é uma realidade ainda bastante nebulosa quando nos referimos à prática. Como encaixar isso tudo em uma grade curricular? Será que é possível focar mais nesse quesito do autoconhecimento sem "atrapalhar" o vestibular? Mas as aulas vão virar terapia? E ainda muito se discute em como tornar tudo isso mais natural e acessível dentro do mundo da educação.


Entender o porquê algo nos incomoda, a razão de não nos encaixarmos em alguns padrões, quais são as formas que mais gostamos de realizar determinadas ações, o por quê de sermos irritados, ou medrosos, ou briguentos, ou ansiosos e uma infinidade de questões, tudo tem uma explicação, que pode ser mais, ou menos, complexa. E quando conseguimos compreender as diversas questões da nossa mente, que se refletem em nossos comportamentos, conseguimos encontrar melhores formas de nos colocarmos e expormos em diversas situações da forma mais saudável.


Você já pensou em montar um armário, ou equipamento complexo, sem um manual? Bom, não que seja impossível mas quando temos o manual tudo se torna mais claro, fácil e economizamos muito tempo e energia na montagem, ou aprendermos sobre o funcionamento das coisas. Não é diferente com a gente, o único “porém” é que não viemos com um manual de instruções, somos nós quem criamos o nosso. E quando necessário, procuramos a ajuda de algum profissional que possa nos facilitar esse processo, como é o caso dos profissionais da Psicologia.


Podemos também criar hábitos que nos ajudem a nos compreender melhor, como por exemplo, pensar um pouco sobre as coisas que gostamos. Por que isso me agrada tanto? O que isso me remete? Que sensação isso provoca em mim? De onde vem esse hábito? Com quem eu aprendi essa resposta? E tantas outras perguntas sobre algo pequeno, que pode vir a trazer inúmeras informações e insights sobre nós mesmos.


Uma das coisas que nos impede ter essa compreensão é o ritmo que o mundo nos cobra, as demandas na escola, no trabalho, o ritmo acelerado da vida, excesso de tempo gasto no celular, horários bagunçados, todas essas coisas e muito mais influenciam no aumento da ansiedade, o que faz com que a gente não perceba, não sinta, não descanse, ou não tenhamos tempo para entendermos quem somos, é quase como se o mundo dissesse “isso não é importante, pare de pensar nessas besteiras!” e, algumas vezes, é isso mesmo o que ele diz.


No Japão, existe uma técnica chamada shirin-yoku, que pode ser traduzido como “banho de floresta”. Basicamente consiste em você entrar em contato com a natureza, sozinho, devagar, observando os detalhes, uma imersão na natureza e em você mesmo. Hoje em dia essa técnica se tornou uma atividade de medicina preventiva. É comprovado que essa ação diminui os níveis de cortisol no seu corpo, hormônio responsável pela ansiedade, quando em excesso.


E meditação ativa, já ouviu falar? O famoso mindfulness. De forma bem resumida, basicamente, é você conseguir manter atenção plena em alguma atividade, sem interrupções, ou julgamentos, onde você consiga relaxar e se manter no momento presente.

Alguns estudiosos pesquisam sobre o ócio. Que embora, costumeiramente, consideremos algo negativo, já foi visto que necessitamos de tempo ocioso. Outros estudos apontam que é importante que a criança sinta tédio, pois é a hora que ela aprende a mudar a própria realidade, sair da inércia do momento, até mesmo entrar em contato com seus pensamentos e sentimentos. Um estímulo à imaginação.


Todas essas ações podem nos trazer um momento de calma e tranquilidade, o que contribui para irmos desenvolvendo mecanismos e maneiras para entrarmos em contato com nossas emoções e também aliviar outras sensações. Algumas pessoas se conectam com atividades mais silenciosas, outras com atividades mais agitadas e explosivas, outras se conectam mais com atividades de raciocínio. Para cada tipo de pessoa, ou situação e momento, existe uma forma para nos conectarmos com nós mesmos!


Nossas atividades da LIGA MAKER têm esse propósito da concentração. De forma leve, focada, lúdica e divertida, em um momento offline e sensorial, a criança pode experienciar momentos em silêncio, ou na companhia dos pais/irmãos/amigos, desenvolvendo as habilidades manuais com grau de dificuldade adequado à idade, um fator positivo, pois a criança consegue realizar os desafios sem saírem frustradas, se beneficiando por completo da experiência que nossas atividades propõem. Um momento presente, com atividades inusitadas que utilizam materiais sustentáveis, dentro do conceito STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática).


Parar para pensarmos em nossa saúde mental e identificarmos estados positivos e negativos é essencial para que a gente consiga encontrar caminhos mais adequados e promissores, nos trazendo mais saúde e qualidade de vida. E você, já respirou fundo e olhou para as nuvens, hoje?


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