• Leonardo Freund

Celular em sala de aula: bom ou ruim?

Atualizado: Nov 18



Costumeiramente, sabemos que os professores odeiam ser interrompidos por alunos conferindo celular em sala de aula. Não é por menos! As aulas expositivas, tradicionais/convencionais pedem atenção plena, uma vez que se perde o ritmo, ou uma informação, você está descontextualizado, totalmente fora do assunto. Um problema: só conseguimos nos manter concentrados entre 10 a 18 minutos, é o que apresentam algumas pesquisas. Depois, já dispersamos, queremos dar aquela conferida no celular, fazer qualquer outra coisa. Para quem é jovem então, nem precisamos falar, não é mesmo?!


Ainda assim, é bom ou ruim utilizarmos celulares em sala de aula? Bom, como tudo nessa vida, a resposta é: DEPENDE. “Oras, mas depende do quê? Alunos utilizando celulares em sala de aula, aonde já se viu?!”. Calma, precisamos entender como o mundo dos jovens funciona, como pensam, como enxergam a vida e como buscam e absorvem informações.



Se percebemos, nem mesmo para nós, adultos, é fácil manter a atenção plena, seja por causa do cansativo dia de trabalho, pelas preocupações (os temidos boletos) ou simplesmente porque não aprendemos a utilizar nossa atenção de forma saudável e eficiente ao longo de nossas vidas. Mas sempre temos tempo para dar aquela conferida no Whatsapp, no Instagram, Facebook...e, agora, no TikTok, pois é, nesse aplicativo onde a informação é extremamente rápida, aleatória e diversificada. Mas observe como os adolescentes gostam e absorvem essas informações e mais, as replicam!


Observando o ritmo que as tecnologias e as informações caminham ao passar do tempo, uma coisa é certa: precisamos adequar a forma de aprendizado com o contexto de vida das crianças e adolescentes. O educador e filósofo Paulo Freire – um dos pensadores mais influentes e inovadores da pedagogia mundial – nos trouxe a ideia de fazermos o aprendizado ser significativo e contextualizado com a realidade dos alunos e se ele nos trouxe novos caminhos e visões, por que não utilizar de forma mais intensa? Se nós, adultos, utilizamos o celular para muitas funções, as novas gerações o utilizam muito mais, quase uma relação simbiótica. Não é possível ir contra algo que já acontece naturalmente fora do ambiente educacional. O importante é adequar e ensinar os alunos a utilizarem a tecnologia e dispositivos da forma adequada, pois se no tempo livre os celulares e outros recursos são utilizados, por que não trazer essa realidade para a sala de aula?



É capaz que você ainda rebata com “ah mas falar é fácil, na prática é diferente”, te digo com toda a certeza que NÃO! Nós do MUNDO4D, trabalhamos com tablets para programar robôs, computadores e celulares para ensinar programação de aplicativos e temos resultados extremamente surpreendentes com crianças do ensino fundamental I até o Ensino Médio, ainda por cima utilizando jogos, como o Roblox que tem uma temática gráfica similar ao Minecraft. Mais uma vez, talvez você diga “ah mas vocês trabalham com tecnologia e programação, é diferente!” e, mais uma vez, eu lhe digo: NÃO! Do mesmo modo que uma criança pode e deve ser orientada em como trabalhar com recursos eletrônicos de forma adequada, professores/facilitadores/líderes também devem! Qual é o dispositivo que mais acessamos a internet, por exemplo? Sim, os celulares. Os computadores estão se tornando, cada vez mais, máquinas específicas, por exemplo. Estudos da USP mostram que os celulares estão tomando conta de funções que antes somente em computadores eram possíveis de se realizar, seja para o acesso à internet para diversão, ou para pesquisas em geral.


Diante de tudo isso, repensar modelos e práticas, se torna mais do que essencial. Nesta época de pandemia, pudemos observar o quanto os recursos digitais se tornaram importantes, vitais para que a vida escolar pudesse continuar diante de tantas dificuldades.


Sempre existirão inúmeros obstáculos, a tecnologia não é acessível para todas as pessoas e suas diferentes condições de vida, sempre precisaremos de atualizações nas mais diversas áreas profissionais, precisaremos lidar com as diferenças de gerações e por aí vai. Mas temos sempre que olhar para frente e pensar nas gerações que estão vindo, caminhar junto, ao invés de tentar frear ou trazer para uma realidade que, cada dia mais, se torna obsoleta. Não existe transformação se quem ensina, não se transforma, também!

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