• Leonardo Freund

Síndrome de Burnout em crianças e adolescentes


A vida corrida e competitiva faz com que nós tenhamos que, cada vez mais, nos prepararmos para um mercado de trabalho muito disputado. Morando em grandes centros urbanos, isso intensifica mais ainda. A sensação de estar sempre precisando correr mais em busca de uma colocação melhor, tudo para chegarmos em uma posição melhor em um pódio imaginário, um grande e eterno dilema da sociedade moderna. Dá até falta de ar de ler tudo isso, não?


Toda essa situação nos força a irmos além de nossos limites, ora de forma saudável, sim, mas muitas vezes em uma condição que nos esgota, física e mentalmente. Nos levando a um estado de estresse, nervosismo intenso e ansiedade. Para esse quadro de acontecimentos, temos a chamada Síndrome de Burnout. Uma situação onde muitas vezes nem percebemos que estamos enquadrados mas que podemos estar sofrendo dela.


Alguns dos sintomas da Síndrome de Burnout:


- Irritabilidade;

- Alterações de humor;

- Perda de memória;

- Perda de apetite;

- Pessimismo;

- Baixa autoestima;

- Sentimentos de apatia;

- Falta de esperança;

- Perda de prazer nas atividades que exerce;

- Dores de cabeça e musculares;

- Isolamento;

- Agressividade e outras.


Mas lembre-se, nunca se diagnostique por conta própria, ou pelas pesquisas realizadas nas buscas do Google e afins, procure sempre um profissional especialista no assunto!


Pensando nesses sintomas e ritmo que o mundo caminha, começamos a perceber que não só adultos sofrem dessas causas, existem diversos estudos que apontam que, hoje em dia, as crianças e adolescentes estão sendo atingidas por essa síndrome. Seja pelo estresse que é a época de vestibular, na escola e em casa, ou pelas milhares de atividades escolares, cursos, oficinas, enfim, diversas coisas que podem acabar afogando uma criança, ou adolescente, se não houver uma organização, regras e uma rotina saudável e adequada. Somando, ainda, com os hábitos de dormir tarde, pois

muitas vezes eles vão “dormir” mas ficam no celular, o que acarreta em pré adolescentes e adolescentes indo dormir muito tarde e tendo que acordar muito cedo. Ainda levando em consideração a dificuldade de se relacionarem com os diferentes papéis e atividades que desempenham e que estão em desenvolvimento ainda, as mudanças biológicas, muitas vezes o relacionamento conturbado em casa e tudo vai virando uma bola de neve gigante, onde os resultados podem ser bastante nocivos para o desenvolvimento dos mesmos.


Claro que estamos observando o pior quadro possível (ou não!) mas também precisamos levar em conta como cada criança, ou adolescente (ou até mesmo nós, adultos), reagem ao que está acontecendo ao seu redor. Não somos iguais, não aguentamos igual, não sentimos igual, não vivemos igual, então não podemos ser diagnosticados ou comparados todos das mesmas maneiras. O que uma pessoa lida bem, a outra, muitas vezes, pode não ter tantas habilidades para suportar/compreender, ou, a condição que a vida de uma pessoa leva, faz com que suas reações sejam exageradas, ou até mesmo apáticas aos acontecimentos do dia a dia.


São inúmeras situações e condições, pode até soar como um texto sensacionalista buscando visualizações mas vocês concordam que também pode ser que estejamos vivendo isso, ou alguém de nossas casas, nossos filhos, sobrinhos, ou alunos e que é sempre melhor a gente conhecer para não sofrer depois? São cuidados que precisam existir para que não deixemos o potencial máximo nosso e de quem nós estamos em constante convívio seja suprimido. Uma mente tranquila e relaxada, tende a trazer maiores e melhores respostas.


O bom de tudo isso, é que podemos prevenir chegarmos a esse esgotamento. A primeira ação é a organização, seja dos horários, dos ambientes de casa, ou nossas atividades. Isso nos ajuda a entendermos e visualizarmos como nosso tempo está dividido. Ter um momento para relaxar é extremamente importante, o descanso e pausas são fundamentais. Estudos mostram que manter um período de tempo focado e dar um tempo de descanso (descanso verdadeiro, hein! Não vale ficar lendo e-mails profissionais ou continuar em ritmo frenético, só que em outra coisa estressante), trazem benefícios na diminuição do estresse. Um exemplo é a técnica Pomodoro, criada por Francesco Cirilo, onde trabalhamos focados extremamente por 25 minutos e descansamos plenamente por outros cinco. Outras pesquisas trazem o foco em 90 minutos e pausas de 20 a 25 minutos e um cochilo curto durante à tarde.



Outra forma é praticarmos alguma atividade física. Não precisa ser intenso, “no pain, no gain”, não, nada disso! A prática de exercícios que nos façam movimentar o corpo, com certo desafio, já é suficiente e nos ajuda a liberar hormônios muito importantes para o nosso bem estar! Alivia o estresse, a energia acumulada, ajuda a relaxar mais o corpo na hora de dormirmos e, consequentemente, uma noite de descanso muito melhor, traz um rendimento muito melhor ao longo do dia!


Trabalhar o silêncio da mente, praticando alguma forma de atenção plena (mindfulnes), meditação tradicional, atividades que relaxem verdadeiramente, tem um efeito benéfico, também!


Cada pessoa deve encontrar um momento para se cuidar, para respirar e ter energias para retornar às atividades que nos exigem tanto. A vida nem sempre é fácil, as condições nem sempre são favoráveis mas podemos buscar mudar um pouco a realidade em que vivemos. É claro que enxergamos algumas dessas atividades como supérfulas mas é sempre importante pensarmos que sem nossos corpos e mentes funcionando corretamente, nós perdemos mais tempo, ficamos menos produtivos, adoecemos e podemos afastar pessoas que nos são importantes. E levar essa mentalidade de autocuidado para crianças e adolescentes, é contribuir para uma sociedade menos ansiosa e adoecida!

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